"Não estamos vendo falta de crescimento. Estamos tendo um sinal de que o ritmo de aceleração está apenas se atenuando, o que é muito bom, porque o carrinho que está correndo, se ficar muito acelerado, não aguenta", avaliou Paulo Francini, diretor do Departamento de Economia da Fiesp.
27 de maio de 2010 - A atividade da indústria de transformação paulista deve seguir uma tendência de crescimento nos próximos meses, mas num ritmo mais lento, segundo estimou nesta quinta-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ainda assim, para a entidade, o desempenho do setor industrial deve retomar o patamar pré-crise entre maio e junho.
"Não estamos vendo falta de crescimento. Estamos tendo um sinal de que o ritmo de aceleração está apenas se atenuando, o que é muito bom, porque o carrinho que está correndo, se ficar muito acelerado, não aguenta", avaliou Paulo Francini, diretor do Departamento de Economia da Fiesp.
Francini lembra que a Fiesp projeta crescimento de 13% na atividade industrial em 2010 e a indústria estava andando a uma velocidade que levaria a uma expansão entre 16% e 17%. "A aceleração tinha de se atenuar, porque existem limitações a ela", comentou.
O Indicador do Nível de Atividade (INA) registrou queda de 0,4% no mês de abril frente a março, sem considerar a sazonalidade do período. Esse foi o primeiro resultado negativo desde fevereiro de 2009. Sem ajuste, o INA caiu 5,6%.
Francini atribuiu a queda do índice à redução de 2,7% no total de vendas reais do setor e a um ajuste natural ao ritmo "frenético" que a indústria vinha apresentando.
Para ele, as vendas menores em abril refletem o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em março, para alguns setores. "Isso adiantou e jogou para cima as vendas de março, mas derrubou em abril", disse Francini, acrescentando que não acredita em nova queda nas vendas para os próximos meses.
Impactado pela redução do IPI, o setor de Veículos Automotores teve recuo de 3,2% sobre o mês anterior, com ajuste sazonal. Enquanto o de Celulose, Papel e Produtos de Papel apresentou leve queda de 0,2% na mesma base de comparação.
No mês passado, o INA estava 1,5% abaixo do nível apurado em setembro de 2008, auge da crise econômica. Contudo, segundo afirma Francini o nível de atividade está bem próximo do de abril de 2008.
No confronto com abril de 2009, o indicador apresenta expansão de 13,6% e acumula avanço de 1,4% nos últimos 12 meses. Em 2010, o INA soma crescimento de 16,8%.
Por sua vez, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria paulista (NUCI) ficou no mês de abril em 82,1%, contra os 80,5% apurados em março.
Além disso, a entidade divulgou o Indicador Sensor, que mede o otimismo dos empresários sobre as perspectivas da economia. O índice avançou para 57,6 em maio, ante 55,9 em abril. "A melhora do Sensor serve para indicar que o sinal do INA não é algo negativo", explicou Francini.
(Mariana Mandrote - www.ultimoinstante.com.br)